Make your own free website on Tripod.com
 

 
 

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

A MÍDIA E O PODER

<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<

 


 
 

Como na Grécia Antiga, nos dias de hoje,
aos pobres somente resta trabalhar,
sejam eles formalmente escravos ou não.
Ah! E também produzir mais escravos para
a linha de produção.

Permanecem sendo uns 80% da população,
como o eram nos tempos de Sócrates e Platão,
se adotarmos um critério mais realista que o Governo.

Só para se ter uma idéia,
além dos nossos horizontes, nos USA,
pobre é a família de quatro pessoas,
que ganha menos que US$ 1,625/mes,
uns R$ 3.200,oo/mes. (Jornal Hoje em Dia, 19/10/99,
1o. caderno, página 7)

Etimologicamente, trabalho é "pequena trave";
do Latim "trabecula", diminutivo de "trabs":
trave; pequena viga de madeira,
que se impunha aos escravos para obrigá-los a trabalhar.

Outros relacionam trabalho a "tripalium":
três paus, também instrumento de suplício
para obrigar os escravos ao trabalho.
(Pequeno Glossário Etimológico,
http://www.interway.com.br/~csgiusti/gloss4.htm)
Talvez, fossem ambos, quem sabe?

Existe e sempre existiu, uma pequena elite de trabalhadores,
que, por sua proximidade com a classe capitalista,
desfruta de uma condição intermediária,
sendo regiamente recompensada por seus préstimos
de administrar os negócios superiores,
fazendo uma interface com os que labutam
mais com o corpo que com a mente.

A classe média, tem, historicamente
preferido se aliar aos seus patrões
que aos operários por ela administrados.

Dentro deste quadro, podemos observar
que há uns cem anos atrás,
o operário comum, que fosse pai de família,
cuidava das coisas externas de seu lar,
enquanto a esposa permanecia nos afazeres domésticos,
se excluirmos a elite que se deleitava no ócio,
nas artes, na sedução e outras atividades
quase que somente a ela permissíveis.

Ele era praticamente a única fonte de informação
dentro de sua casa, podendo sonegá-la,
deturpá-la ou interpretá-la (independente de estar
usando-a movido pelos melhores ou piores propósitos).

Naturalmente, a informação que ele recebia, como hoje,
já tinha sido censurada anteriormente
pelos que detinham o poder na sociedade e no Estado.

O jornal fisicamente impresso era restrito à uma minoria,
permanecendo assim até hoje, ainda que nem tanto.
O rádio, a tv e computadores iniciaram
o mesmo caminho seletivo,
mas percebemos mais tarde a popularização sequencial
dos dois primeiros e sonhamos com o dia em que o terceiro
também se tornar assim.

A novidade é que foi praticamente derrubada
a barreira de proteção exercida
pelo que se considera hoje como
o ultrapassado "cabeça do casal",
tendo ele perdido também sua autoridade informacional,
a qual ficou delegada aos meios de comunicação.

Estes, por sua vez, são destituídos
de quase qualquer princípio ético ou moral,
possuem uma visão extremamente "progressista"
do estilo de vida mais adequado,
para o qual as famílias tradicionais
dispoem de pouca filtragem,
em função do poder de formação de opinião
da mídias populares.

E, naturalmente, para chamar a atenção
do maior número de pessoas possível,
sentem-se no direito de abaixar o nível da programação
ao invés de elevá-lo.

Tendo em vista que, por seu estilo de vida
compulsoriamente laborioso
(quando encontra um "bico", serviço ou emprego),
ao trabalhador não é permitido
o ócio necessário para estudar
(boa parte, mesmo em sua infância),
e, ficando assim impossibilitado de avaliar
as informações que recebe
através dos meios popularizados de informação
(exceto no que tange aos esportes,
programas humorísticos duvidosos e similares).

As mães, quando não abandonadas por seus
maridos ou amantes (estes incapazes de auferir
um salário digno para sustentar sua prole),
deixam seus filhos diante da tv
ou nas mãos de pessoas incapazes
para educá-los efetivamente
e vai buscar o seu  sustento,
cada vez mais limitado a milenar profissão feminina,
onde são também iniciados aqueles que
cujos corpos já se encontrem habilitados
para satisfazer o apetite de pedófilos
e outros depravados.

Sendo os trabalhadores, a grande maioria da população
e também quem define as eleições,
aqueles que anseiam pelo poder (ou por mais poder),
veem neles uma massa de manobra extremamente atraente,
tendo em vista sua condição precária,
podendo ser facilmente manipulados.

Graças à interpretação tendenciosa
do Poder Judiciário sobre o que seja
igualdade de todos perante a lei,
uma eleição livre e eliminação da influência
do poder econômico neste processo
(todos assegurados pela Constituição),
os mais abastados investem fortunas nos
mercenários a seu soldo,
propiciando-lhes campanhas políticas suntuosas,
coisa impossível ao legítimo
e honesto representante das massas.

E tudo isto ocorre, amparado por leis menores,
que conflitam com a Carta Magna,
da qual os burgueses fazem gato e sapato.

Desta forma, a mídia se torna
um instrumento extremamente útil àquele que
possue condições materiais e intelectuais
para influenciá-la em sua direção.
(Exemplo concreto pudemos ver
no caso do cinzento ex-Presidente Collor.)

Como os ricos perderiam
uma eleição legitimamente democrática,
pois são minoria, eles multiplicam seus votos,
sub-repticiamente hipnotizando suas próprias vítimas
via marketing político e mídia,
tanto antes, quanto durante as campanhas.

Dependente como é da publicidade
para se manter em atividade e de faturar
o lucro tão ambicionado,
a mídia também é presa fácil dos poderosos.

Necessitando de financiamentos
governamentais e particulares para sua
instalação ou expansão,
ela fica nas mãos de quem possui
o que tanto ambiciona.

Dirigida por seres humanos falíveis como nós,
eles cedem graciosamente aos ditames do ego insaciável,
cujas possibilidades de corrupção conhecemos
apenas ao nível subalterno de poder a nós permitido.

Ao povo trabalhador sobra apenas
a condição de consumidor dos produtos
por ela anunciados (normalmente com propaganda
que fere aos mais simples princípios éticos ou morais)
e de programas que visam quase exclusivamente
satisfazer os instintos mais grosseiros do ser humano.

Assim, dopado no poder de sedução
do rádio e da televisão,
a grande maioria do povo brasileiro
(e do resto do planeta), vota em seus próprios algozes.

Desta forma, a concentração de riquezas
aumenta assustadoramente nas mãos
da eterna minoria de sempre,
fornecendo-lhes mais poder ainda,
para repetir este circulo nada virtuoso.

A mídia perde assim sua oportunidade histórica
de ser um instrumento voltado
para a educação plena do proletariado
(inclusive política) e se torna mais
uma marionete nas mãos dos plutocratas (*).

A mídia prega o hedonismo,
o prazer sem limite, a escravidão emocional,
sem vínculo algum com a razão
(em seu sentido mais profundo).

A mídia normalmente prega o egoísmo,
já que o que vende mesmo é sexo e sangue.
Para faturar, vale tudo.
Maquiavelica, mercenaria, despotica,
anti-ética e imoralmente pragmática.
"Para ao povo, pão e circo."
A mídia é o circo.
Quanto mais alienado o povo, melhor para a aristocracia.

E os simples de entendimento,
especialmente os jovens, reagem naturalmente
aos estímulos recebidos,
tornando-se cronologicamente cedo,
mais irreverentes, sensuais, violentos e assassinos.

A ociosidade, sem consciência das consequências,
permite a reprodução altamente perigosa de
seres incapazes de educar seus descendentes
para a cidadania, formando um exército de miseráveis
que nada tem a perder.

"Os menores abandonados são filhos
dos maiores abandonados" (Mafalda, de Quino).
Totalmente abandonados pelos quatros poderes
que dominam a República Corruptiva do Brasil
e da Argentina (terra do Quino).

Assim se fecha o círculo antropofágico:
poderosos, classe média, mídia e o povo.
Alguns destes últimos iniciam, ainda de forma desarticulada,
um processo aleatório de distruibuição de renda,
atingindo, no momento, apenas a classe média,
por esta não ter condições de se locomover
em carros blindados e guardada por seguranças.

O homem é o lobo do homem.
A elite que sempre manteve o povo na escravidão,
agora conta com um meio ineditamente eficaz
para se perpetuar oprimindo-o.

Sem dúvida, há excecões.
Há a mídia não comprometida com o sistema.
Mas ela dificilmente chega ao barraco apertado,
abafado e fedorento do favelado.
(Nem todos o são. Conheço dignidade em todos
os sentidos, mesmo neste ambiente marginal.)

Permanece como meio de ostentação intelectual
de uma classe média que oscila
entre a subserviência prática aos neo-liberais
e um discurso teórico de revolução socialista,
onde comandará as eternas buchas de canhão.

Hoje, a ainda elitizada Internet,
a multi-mídia do 3o. milênio,
sofre desde o berço,
a ditadura do poder econômico plutocrático.

Mesmo os partidos ditos de esquerda
se esquivam sutilmente de democratizar suas decisões,
evitando de toda forma a implantação de consulta
on-line aos seus militantes que já tem acesso a este privilégio.
"Home Parting". O Partido On-Line.

A alegada liberdade continúa,
como na Grécia Antiga, resumida à uma minoria,
mesmo porque, o pobre,
tão cedo não disponibilizará recursos físicos,
intelectuais e cronológicos
para usufruir desta maravilha moderna.
E, quando tiver, iniciará naturalmente,
nos sites de XXXX.
Mas, isto, já são outros 500 anos.

_____________________________________________________________

(*) Plutocracia: Sociologia. Dominação da classe capitalista, detentora dos
meios de produção, circulação e distribuição de riquezas, sobre a massa
proletária, mediante um sistema político e jurídico, que assegura àquela
classe, o controle social e econômico. (Aurélio Buarque de Holanda)
 
 
 

Heitor Reis é Engenheiro Civil em Belo Horizonte, MG
Nenhum direito autoral reservado.
Use e abuse!
Críticas são bem-vindas.
Respondo polidamente à todas.

 


- Fale com Heitor Reis: heitorreis@brfree.com.br
- Leia textos de Heitor Reis publicados por terceiros clicando aqui.
- Visite também o outro site de Heitor Reis, Ditadura Civil no Brasil.

Voltar para a página inicial

 
 

clique aqui!
by Banner-Link