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HOMO CORRUPTUS

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O ser humano é corrupto por natureza.
Nada está livre da voluptuosa e quase irresistível sedução
e dos prazeres de corromper e de ser corrompido.   Os rios, por sua própria natureza,
também seguiram seu curso tortuoso em direção ao mar
e, gradualmente, com o desbarrancamento
de suas margens, o foi retilinizando.   Os rios domaram suas margens
da mesma forma que podemos domar
nossas tendências desonestas, violentas
ou sexuais.   Domando elementos e energia,
os homens construíram barragens, hidroelétricas;
abriram canais físicos, virtuais, telecomunicáveis;
singraram naves por mares
nunca dantes navegados,
no éter do espaço interplanetário,
no citoplasma intra-celular
ou no micro-cosmo do átomo.   Preso nesta rasteira penitenciaria terrestre,
observo em minha própria família o fluir latejante
do pernicioso caudal que transborda no pomposo
planalto central de Brasília.   Meu sobrinho oferece ao meu cunhado o recibo
de uma carteirinha da ACM (Associação Crista
de Moços, que não se diferencia de clube algum ateu),
convidando para ir junto, na qualidade de corrupto
passivo do crime de falsidade ideológica
(já que o tal recibo pertence ao pai do garoto,
enquanto aguarda que outra carteira fique pronta).   Ao questionar o infante delinqüente,
recebi como resposta que a idéia não tinha sido
dele, mas sim de seu próprio pai.   Minha irmã, há poucos anos atras
se tratava num plano de saúde com a carteira
de uma outra (a família é grande mesmo...).   Alguns anos antes, meu outro (mais outro) irmão
ligava dos USA para minha casa e
mencionava que estava pagando com
uma senha de cartão telefônico comprada de telefonistas de hotéis, as quais se apropriavam
do código dos hospedes.   Tive o lampejo de Ética ao solicitar-lhe
que não me comprometesse  continuando
este tipo de contato comigo,
alegando a possibilidade de que
esta ligação viesse um dia a ser rastreada
pela policia e envolver-me.   Ética coisa alguma!
Não tive coragem de afirmar que era
simplesmente porque a coisa era errada
em si mesma. Ainda não  tinha me tornado
um crente fanático pela Ética e Moral.   Vejo pessoas de boa reputação empregadas,
mas que recebem também o seguro desemprego.
(Ainda guardo o meu sem utiliza-lo, por haver
parado de trabalhar por alguns anos,
e não considerar justo recebê-lo,
já que estava  dispensando as oportunidades
que me eram oferecidas, sem motivo algum,
a não ser uma aposentadoria juvenil.)   Ao voltar dos USA, eu mesmo, constrangido
por dever favores a um  homossexual
(minha irmã - mais uma - trabalha na área de modas
e é uma ilha cercada de GLS por todos os lados),
cedi, relutante aos meus "elevados princípios",
e trouxe seu passaporte,
o qual, por um punhado de dólares,
a autoridade competente carimbou,
como se o próprio tivesse voltado para o Brasil,
o que facilitaria algumas coisas
para ele na metrópole.   O agente ainda fez um bom desconto para
carimbar o meu, como se tivesse voltado dentro do prazo
(foi permitido 6 meses e eu fiquei 10),
o que com dificuldade resisti e não aceitei.
Já era crente fanático pela ética/moral!
Mas nem tanto... 
Um outro homossexual amigo dela, como qualquer hetero também o pode fazer,
hoje bem sucedido, com griffe própria nos USA,
vivia andando debaixo da fiação telefônica,
com um telefone sem fio na mao,
tentando acessar a uma linha de seu próximo
e fazer com ele aquilo que não gostaria que
lhe fosse feito: usar a linha deles para
ligações internacionais.   Minha maravilhosa ex-esposa,
pessoa também de "bons" princípios
(a mãe delegada, o pai e avô, policiais),
trabalhava numa grande empresa
e ajudava gratuitamente uma amiga do Rio,
cujo noivo era dono de auto-escola,
a vender carteiras de motorista em BH.   Como retribuição a tão natural contribuição,
recebeu de presente uma carteira,
sem que jamais estivesse estado la,
explicando-me que a auto-escola tinha pessoas
que faziam as provas se passando pelo titular,
inclusive falsificando habilidosamente
a assinatura do candidato.   Pelo menos podia alegar que sua carteira
não era comprada como as 30.000
que circulam pela cidade. Foi ganhada!   Trabalhando na política com pessoas que reputo
como sendo das que possuem a mais conceituada
reputação neste meio, vi coisas assustadoras.   Um pastor evangélico recebeu por alguns anos
seu salário como funcionário da Prefeitura
sem jamais ter trabalhado na área em que estava lotado,
mesmo porque não tinha afinidade alguma
com o tema ali desenvolvido.   Ontem, numa visita a  uma das mais violentas
favelas de BH, tomei conhecimento de pessoa
tida como idônea e envolvida com uma "igreja"
evangélica local, que a creche por ela patrocinada
recebe mantimentos de primeira de uma
entidade do Banco do Brasil, o que é desviado
e substituído por produtos de qualidade bem inferior.   De madrugada, bandidos são soltos,
com a missão de trazerem pelo menos
um vídeo-cassete para seus carcereiros
até as 6 horas da manha.
O resto que conseguissem pode ficar
com eles.
Como imaginar que um prisioneiro
estivesse solto pelas ruas furtando
a casa dos outros? Alibi perfeito.   Policiais fornecem seus celulares a preço
de ouro para que bandidos administrem
seus negócios de dentro de suas próprias
celas, sempre melhores que a dos demais
plebeus que por ali se hospedam eventualmente.   No entanto, um dia, ao deixar algumas frutas,
livros evangélicos e biscoitos para um pequeno
delinqüente amigo meu, com um preso que tinha
liberdade para sair da delegacia,
fui severamente advertido por ter cometido
uma irregularidade.   Mais tarde este mesmo delegado foi preso
por envolvimento com corrupção da grossa.
O defensor publico que defendeu e livrou
meu protegido cobrou um salário mínimo de
sua mãe, apesar de ser um funcionário do Estado,
designado para esta função.   Mais tarde denunciado à imprensa
se defendeu brilhantemente,
como se isto fosse algo licito e natural.   Tendo parentes na Policia Civil ou Militar,
vocês não imaginam os inúmeros
meandros de facilidades de que podem
se dispor.
Para tudo tem um jeitinho.
É uma verdadeira epidemia nacional. 
O CREA que tem função federal para fiscalizar
irregularidades na pratica da Engenharia,
constrói um andar a mais em sua sede de BH,
motivo pelo qual a Prefeitura ainda não lhe concedeu
"habite-se".   Instalou-se lá assim mesmo,
dando um exemplo de comportamento ético
para seus filiados e atiçando o imaginário popular
sobre como funcionam as coisas lá dentro.   Mas onde surgem estes costumes
tão arraigados na cultura tupiniquim?   Em principio fomos colonizados por
mercenários e criminosos portugueses
cujo objetivo era simplesmente tirar
partido imediato de tudo que pudessem
acumular e levar rapidamente para
a antiga metrópole.   Junto com eles veio uma religião,
aliada à burguesia e sustentada
pelo depravado clero da época,
vendia lugares no céu e retirava
pecadores do purgatório da mesma forma
que o Collor, Sérgio Naya, anões do
orçamento e corruptores ativos da reeleição
de El Rey Dom Fernandus Henriquecidus Corruptorum
permanecem impunes e protegidos em seus paraísos fiscais. 
Estes dois fatores, juntos num pais tropical,
cuja índole do povo, unida à indisposição para
o trabalho natural destas temperaturas,
depois de 500 anos de exemplos monumentais
como Dom João VI criando aqui o Banco do Brasil
e fugindo com os depósitos existentes para Portugal.   Mais tarde surgem os evangélicos,
os quais gradualmente foram se contaminando
com os apelos sedutores do dizimo compulsório
e a promessa da "doutrina da prosperidade"
fabricada nos laboratórios satânicos da metrópole
protestante.   Aqui a espiral evolutiva da dialética do engodo
produz a nova versão da venda de indulgencias
medieval, agora com tecnologia de ponta,
exportada para todo o planeta.   Mas basicamente o ensino da corrupção começa
é dentro de casa:
"Filinha, não se preocupe, que a injeção não
vai doer nem um pouquinho..."
"Meu filho, avisa para ele que papai não está."
"Diga para sua mãe que vamos tomar um sorvete",
quando vai tomar umas e outras com a criança no boteco.
"Pega a carteira de sua irmã, e vai ao medico
ver o que você tem."
"Tio, leva a gente ao clube. Ai, você também pode
entrar com o recibo da carteira do papai."   Qual o pai ou mãe que tem se assegurado
de ter transmitido eficazmente princípios sólidos
aos seus filhos de tal forma a acreditar numa
performance futura incompatível com tudo aquilo
que nos afronta no dia a dia de nossa nação?   Pelo que os pais tem ensinado através de
algumas horas diárias de TV por dia à futura
geração, sugiro tristemente que nos preparemos
para receber um exercito incomensurável
de Collors, PCs Farias, Anões do Orçamento,
Sérgio Nayas, Donos de Encols, Lalaus,
incineradores de índios pataxós,
e outros monstros gerados dentro de lares
acima de qualquer suspeita.   Para não falar em formas mais violentas
e menos sutis de exploração e agressão
ao próximo... 



Heitor Reis é Engenheiro Civil em Belo Horizonte, MG
Nenhum direito autoral reservado.
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Críticas são bem-vindas.
Respondo polidamente à todas.

 


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