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BÁLCÃS

Esta guerra pode recomeçar bem perto de mim!



Este é um texto apartidário que visa discorrer com a maior abertura possível sobre a questão que motivou uma amostra cinematográfica realizada pelo CRAV – Centro de Referência Audiovisual da Prefeitura de Belo Horizonte, denominada "BÁLCÃS – Uma Guerra sem Fim", onde ele foi distribuído pelo autor, sensibilizado pelas causas religiosas do conflito.

Parte do princípio que o ser humano não é perfeito, motivo pelo qual não tem o direito de ser radical em sua condenação a quem quer que seja, perpetuando as guerras e todas suas nefastas conseqüências. Infelizmente, seja lá quem for que detenha alguma soma de poder, se corromperá, pelo menos em alguns dos amplos sentidos que este conceito abrange, prejudicando mais ou menos seu semelhante.

Precisamos reconhecer com maior intensidade e brevidade que todos nós temos dentro um pouco de Clinton, Fidel, Mao, Pinochet, Idi Amin (um etc. bem grande!), bem como de Gandhi, Madre Tereza, Betinho (um etc. pequenininho...), os quais podem se manifestar em função de uma série de circunstâncias e pressões da quantidade e qualidade do poder que nos for confiado por nossos aliados, eleitores, associados, família ou amigos.

Com isto não pretendo defender a passividade diante das atrocidades cometidas pelos líderes mundiais, locais ou no relacionamento pessoal. Simplesmente defendo que esta indignação, revolta e condenação não deve fugir ao paradigma de nossa própria limitação.

Caso nos exacerbemos na condenação, nos tornaremos apenas reacionários automáticos em função das falhas do outro, adicionando apenas uma força vetorial igual e contrária, ao sistema em questão, aumentando a insanidade dos vários níveis de conflitos pessoais, familiares, étnicos, etc. O exemplo de Gandhi é extremamente desafiador, mas deveria nos estimular a uma proposta concreta nesta direção.

É bom observar que, em todas as guerras, os soldados são informados de maneira profundamente deficiente sobre a causa pela qual deverão oferecer suas vidas. Isto, de ambos os lados beligerantes. São e serão sempre massa de manobra para defender interesses inconfessáveis de seus líderes, os quais administram de longe o conflito. (Muitos tem a arte de matar como meio de vida e são dependentes desta forma de emprego e meio para alimentar materialmente sua família.) Oriundos da classe mais baixa, eles não tem capacidade alguma para entender ou questionar as ordens recebidas. Os relatórios sobre o combate e suas conseqüências também serão deturpadas democraticamente. É a guerra de informações.

Líderes/interesses religiosos, econômicos, raciais ou históricos em geral se camuflam e se amalgamam de um jeito, que somente a uma profunda e prolongada meditação sobre eles nos permitirá talvez um dia compreendê-los melhor. Mas se observarmos bem, veremos com freqüência o ódio religioso sendo ferramenta facilmente disponível para incendiar um povo contra outro.

Em entrevista no Boris Casoy recentemente Ciro Gomes (ex-candidato à Presidência da República) nos adverte que, no Brasil, está aumentando a tensão separatista e o preconceito regional. A impunidade do Deputado Bolsanaro/PPB-RJ ao defender na mídia idéias inconstitucionais, bem como as de tortura e a morte de cidadãos, nos demonstra a quantidade e qualidade de poder que lhe assegura este momento histórico.

A imprensa tem nos afirmado que há um "Exército Verde" em treinamento nos USA para "proteção da Amazônia".

O crescimento exuberante, apesar de nem sempre ético dos evangélicos (Afinal, mesmos os homens de Deus são sempre falhos, sejam eles papas ou pastores!), tem esquentados as relações entre nossas principais religiões, ambas defendendo sua deturpação doutrinária do Evangelho, divulgado pelo maior pregador do amor ao próximo que já existiu. (Diferenças assim já foram motivo para alguns genocídios...)

Infelizmente, a história nos mostra que uma religião, normalmente serve à Deus com uma mão e ao Diabo com a outra, cometendo todas as formas possíveis de atrocidades, como qualquer ateu o faria. O mérito deste é que não estaria sendo o representante da vontade do Criador do Universo na face da Terra.

A distribuição de renda/terra/riqueza deste país é uma das piores do mundo, mesmo sendo a nona economia do planeta. Apesar de sermos tradicionais campeões de futebol, o maior país católico, o terceiro em protestantes e o primeiro em espíritas, também nos destacamos em termos de corrupção e baixa qualidade de vida de nossos compatriotas.

Até quando nosso povo viverá dopado com as várias formas de manifestações modernas do chamado ópio do povo? Até quando este barril de pólvora será refrigerado por promessas historicamente enganadoras? Até quando os manipuladores da opinião pública esperarão para lançar-nos uns contra os outros, nos convencendo com estes argumentos tradicionais ou com algum mais modernoso?

Portanto, não baixemos nossa guarda, imaginando que tais fatos jamais nos envolverão diretamente, mesmo num país de um povo pacato, ordeiro, religioso, omisso, submisso, leviano, covarde, ou simplesmente divertido, como quiserem os senhores. E as senhoras.

Até quando os senhores e as senhoras de nossa comunidade esperarão para assumir a educação de seus filhos, de tal forma que não sejam escravizados numa televisão fundamentalmente mercenária, violenta e sodomita? No jornal "Hoje em Dia" recente, consta pesquisa que nos assegura, como a imprensa em geral já o fez anteriormente, que os pais abdicaram de seu direito de educar seus filhos, sendo este o motivo maior de tanta violência, aliado à desagregação da família.

Devemos nos vacinar contra tais sentimentos, de forma que não venhamos a viver as cenas de horror e terror que nos ferem a alma durante os filmes de guerra.

Os católicos, crentes e demais cristãos são os maiores formadores de opinião deste país, como os religiosos em geral o são do planeta. Deveriam amar ao próximo como a si mesmo, em coerência à ordem suprema de seu livro sagrado (Marcos 12:30,31), considerando outros aspectos como secundários.

Todos sabemos que isto é genericamente falso, apesar das honrosas e raras exceções. Mas não há uma religião que pregue o ódio e a guerra dentre as maiores que temos por aqui. No entanto, existe alguma que pregue frontalmente contra pegarmos em armas para destruir outro ser humano numa guerra? Até hoje, todas abençoaram um dos lados combatentes. "Como você pode amar ao Deus que não pode ver, se não ama ao irmão que você vê." (I João 4:20). (Bem, o Velho Testamento é velho! A lei do talião já foi revogada... - Lucas 16:16)

Os ateus, se assumissem a ética por norma de vida, jamais fariam aos outros algo que não desejam para si mesmos e ainda fariam a eles tudo que gostariam que lhes fosse feito. Pura e simples coerência consigo mesmo! Ninguém precisa do Confúncio ou da religião para descobrir coisa tão elementar. Mas, quando Comunistas, eles ceifaram uns 100 milhões de almas ("O Livro Negro do Comunismo"), levantamento este que não dispomos sobre os Capitalistas, mas também não deve ficar longe disto...

Aqui está candidamente a diferença entre o amor, a passividade ambígua e o ódio. Romanos e cristãos, israelitas e palestinos, comunistas e capitalistas, sérvios, croatas e albaneses, todos sabemos o que nos dá prazer e o que nos proporciona a dor. Por isso somos tão hábeis em escolher entre ambos para demonstrar o que sentimos uns pelos outros.

Ah, que mundo teríamos se religiões e nações se arrependessem sinceramente de seus erros, a ponto de materializarem isto, devolvendo explicitamente à entidades específicas os bens que historicamente surrupiaram pela força física ou psicológica de indivíduos, famílias, desafetos religiosos ou povos!!!

Não devemos também nos esquecer que blocos regionais como a Comunidade Européia tendem a concentrar uma quantidade enorme de poder nas mão uma só pessoa e, futuramente, nas de um líder mundial, que, em função disto, poderá se corromper proporcionalmente, ou melhor, terá oportunidade maior que outros, de demonstrar o quanto o ser humano é capaz de incorporar o mal. (Estatisticamente, o bem não tem muita representatividade nesta tragédia!)

Os religiosos, que são a maioria no planeta, nos Bálcãs, Turquia, Timor Leste e no Brasil, acreditam na Besta do Apocalipse e no Anti-Cristo, mas tem feito muito pouco para evitá-los... Ou para não sê-los. E, menos ainda, para não ser por eles manipulados.

Se há uma entidade que poderia nos ter livrado de umas boas guerras e que poderá nos livrar das próximas, é a religião. Mas, como tudo nesta vida, isto também dependerá de uma tal de "vontade política"... E aí, os senhores e as senhoras já sabem o final de história, não é? A vontade do Deus deles próprios tem sido negligenciado milenariamente. Por que iriam respeitá-la agora?

Mais importa a eles obedecer aos homens que a Deus, contrariando os discípulos do Mestre dos Mestres que preferiam ser violentados, presos ou morrer a fazer uma coisa destas. (Atos 5:29)

O mundo não precisa de mais líderes e sim, de cada cidadão ousando o suficiente para fazer a coisa certa, independentemente de ser dirigido por pessoas ou organizações, que mais tarde o escravizarão. Pratique a pacificação preventiva. "Bem aventurado os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus." (Mateus 5:9)

Quanto aos que não são pacificadores, mentem, enganam e matam, serão chamados também pelo nome do pai deles (João 8:44).
 
 


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